Obras criadas na pandemia retratam incerteza e esperança
A exposição “Delírios da Quarentena”, do artista João de Deus vai ficar em cartaz na galeria do Museu Histórico e Artístico do Maranhão
No ano de 2021, quando o mundo ainda estava em forte período de pandemia da Covid-19. um artista resolveu colocar para fora os seus sentimentos, pensamentos, angústias, tensões. Surgia aí o trabalho de pintura “Delírios da quarentena”, do artista multifacetado João de Deus. O resultado foram as quase 400 obras reunindo o sentimento do artista. Exposta ainda no ano passado, sua produção agora ficará à disposição do público na Galeria Floriano Teixeira, do Museu Histórico e Artístico do Maranhão (Rua dos Sol, Centro), de 11 de março a 11 de junho de 2022.

“Essa exposição abarca a minha produção de 2020 a 2021 que no total são 400 obras. O objetivo é mostrar a minha experiência pessoal, no entanto essa produção tenta captar o sentimento, o clima do que foi a pandemia. No ano passado, depois de 20 anos sem expor, eu expus 64 obras, e desta vez vamos tentar colocar 200 telas”, disse João de Deus.
Na visão do psicólogo Thiago Domingues, em “Delírios da Quarentena”, o artista fez de sua expressividade singular e potência artística uma rica cartografia do universo psicológico e do inconsciente simbólico. “Muito mais do que pintar angústias, tensionamentos inconscientes ou o vazio devorador de certezas do real pós pandemia, as obras aqui reunidas ajudam não só a registrar o drama simbólico do artista em diálogo com esse momento histórico, como também tranquilizar distâncias e ajudar a dar sentido e encorajamento para a superação dessa experiência através da renovação pelo imaginário”, disse.

A exposição é composta por trabalhos em várias dimensões, utilizando-se de diversas técnicas e suportes: acrílica, carvão, aquarela e técnicas mistas em papel sulfite, papel jornal, papel canson, tecidos e telas. Alguns trabalhos foram emoldurados e outros apenas na chassi original em madeira, de acordo com o artista.
A maioria dos trabalhos apresenta cores vivas, mas consegue-se ver a sombra. As cores tentam sufocar a presença da morte, numa espécie de grito pela vida.As figuras por vezes vivas, e por vezes em cores sombrias, levam à reflexão com uma perspectiva boa para o futuro.
“Eu quis mostrar que embora tenha diminuído a agonia do que foi a pandemia naquela época, as telas ainda retratam esses anseios, medos, angústias e também a esperança. Acredito que as cores possam traduzir isso. Eu uso muitas cores vivas, mas também sombras, então é um trabalho que busca esse convívio com a incerteza, sem perder a esperança”, argumenta.
João de Deus Vieira Barros, cantor, artista plástico e educador, é professor titular aposentado da Universidade Federal do Maranhão.