Maranhão Musical vai destinar kits de instrumentos para povos de matriz africana
Lideranças de comunidades tradicionais de matriz africana estiveram reunidas com o secretário de Cultura, Anderson Lindoso
Povos e comunidades tradicionais de matriz africana do Maranhão serão beneficiados com kits de instrumentos do programa Maranhão Musical. A doação dos equipamentos musicais foi um temas em debate durante reunião realizada nesta quarta-feira, 16, em São Luís, entre representantes de povos de terreiro e o secretário de Cultura do Maranhão (Secma), Anderson Lindoso.
“Foi uma iniciativa dos povos de terreiro, mas também da própria Secma, que buscou ouvir o povo de matriz africana. Segundo o secretário Anderson, o processo de licitação para aquisição dos instrumentos já foi iniciado”, disse o presidente da Federação de Umbanda e Cultos Afros do Maranhão (FUCABMA), Biné Gomes Abinokô.
Coordenado pela Secma, o programa estadual Maranhão Musical já destinou centenas de instrumentos para grupos de várias vertentes culturais em atividade no estado. Inicialmente destinado para bandas marciais e de fanfarra, o Maranhão Musical já beneficiou grupos culturais como bandas escolares e grupos de louvor de igrejas católicas e evangélicas.
Cada kit é composto de guitarra, baixo, bateria, teclado, violão e microfone. Mas para os povos e comunidades tradicionais de matriz africana, os instrumentos doados foram sugeridos por integrantes dos próprios povos de terreiro, como cabaças, agogôs e tambores.
Apesar de atender demandas específicas de povos de matriz africana, o secretário Anderson Lindoso lembra que o Maranhão Musical não é destinado para atender apenas grupos religiosos, mas variados segmentos culturais praticados no território maranhense.
“O formato do programa Maranhão Musical não é voltado para igrejas evangélicas. É um programa que foi adquirindo mais participantes, ele foi sendo ampliado. A doação dos equipamentos vem atendendo demandas de grupos dos mais variados segmentos culturais do Maranhão”, explica o secretário Anderson Lindoso.
Música na comunidade
Biné Gomes Abinokô também ressalta que os instrumentos recebidos não serão utilizados apenas para fins religiosos e foram pensados para atender os interesses da comunidade no entorno dos terreiros.
“Foi também coversado e nós sugerimos os instrumentos que vão nos atender nos trabalhos no terreiro, mas também na comunidade do entorno. Nós temos, por exemplo, Filhos de Santo que são músicos e tocadores, outros membros das comunidades são capoeiristas, outros fazem oficinas de tambor de crioula, e ambos poderão utilizar os instrumentos em seus projetos. Tudo faz parte do trabalho que a gente tem na comunidade”, sublinha Biné Gomes Abinokô.
Cadastro e seleção de grupos
Durante a reunião, Anderson Lindoso ressaltou que a Secma abrirá, no próximo mês de março, processo de cadastro de grupos interessados nos kits musicais, mas que ainda serão definidos o formato do processo de seleção e a composição de cada kit.
“Tão logo a licitação acabe, faremos uma nova reunião para definir o tamanho do kit. Depois de definir os tamanhos dos kits e as quantidades de instrumentos que nós teremos, vamos definir a forma de seleção”, antecipa Anderson Lindoso.
O próximo passo será uma reunião de representantes de povos e comunidades tradicionais de matriz africana do Maranhão, com o vice-governador Carlos Brandão, para apresentação de outras demandas dos povos de terreiro.
Em meio à circulação de uma notícia falsa apontando que grupos culturais de povos de matriz africana estariam fora do público-alvo do Maranhão Musical, Biné Gomes Abinokô celebrou o resultado da reunião.
“É importante esse momento presencial com o secretário. A gente precisava conversar com ele. Pensávamos que tínhamos sido excluídos. Mas agora sabemos que o Maranhão Musical começou em 2015, foi se estendendo, e que agora chegou o momento em que ele atende a demanda cultural das religiões”, pontua Biné Gomes Abinokô.
Levantamento produzido pela Secretaria Estadual de Igualdade Racial (Seir), mostra que somente nas cinco áreas mais populosas da capital São Luis - o que corresponde a 151 bairros mapeados -, há pelo menos 122 casas de culto de matriz africana, sendo a área do Itaqui-Bacanga aquela que mais possui terreiros, principalmente de Tambor de Mina, totalizando 36 bairros e 47 terreiros.